PROEJA Transiarte na educação de jovens e adultos do Centro de Ensino Médio 03 e na educação profissional do Centro de Educação Profissional de Ceilândia :   significações e indicações de estudantes à elaboração de um itinerário formativo 

 Julieta Borges Lemes

 

Neste trabalho, proponho investigar as significações e indicações de estudantes que vivenciam o Projeto de Pesquisa Transiarte, Educação Profissional (EP) e Educação de Jovens e Adultos (EJA)(Projeto Proeja Transiarte) do Centro de Ensino Médio 03 e do Centro de Educação Profissional de Ceilândia à possível construção de um itinerário formativo entre EJA e EP. Para realização dessa investigação, escolho como principal matriz analítica os autores: Engels (1974), Gramsci (1978), Vigotski (1929, 1994, 1995, 2001), Marx (2004), Freire (2005, 2008) e Reis (2000, 2011). A metodologia utilizada é a pesquisa-ação, baseada em Thiollent (2007) e Barbier (2007). Para realização desse caminho metodológico, piso no chão da pesquisa em Ceilândia durante esses meus dois anos de mestrado. Utilizo como procedimentos para levantar e sistematizar as experiências vividas: o Diário de Itinerância; as entrevistas individuais e a coletiva com os sujeitos egressos do projeto. A partir análise da pesquisa, identifico que os sujeitos da EJA chegam ao Projeto Proeja Transiarte com as significações de serem os “piores” da sala, da família e do mundo. Com o processo desencadeado pela Oficina Transiarte-CEM03 encontro indícios de um movimento diferente, que abre espaço para a fala, em que cada um se coloca, buscando a superação da situação marginal e precária em que vivem. Ampliando a compreensão do Projeto, identifico a necessidade de fortalecer a relação da Oficina Transiarte-CEM03 com as áreas de conhecimentos disciplinares da EJA. Relação possível pela análise de Rodrigues (2010), e em incorporação à práxis dos professores participantes do projeto, tanto da UnB, como do CEM 03 e CEP-Ceilândia. Como repercussão desse desafio é constituída a Coordenação Coletiva. No que diz respeito à relação dos cursos oferecidos na Oficina Transiarte-CEM03 e no CEP-Ceilândia, identifico indícios de um processo com continuidades e dualidades. Os sujeitos da EJA reforçam os desafios físicos e financeiros para manutenção em duas escolas. Com base nessas significações e indicações dos sujeitos egressos, bem como pela práxis dessa pesquisadora, elabora-se, em primeira aproximação, um possível itinerário formativo no âmbito do Projeto Proeja Transiarte em Ceilândia: Proeja Arte Digital Básico (200h); Proeja Arte Digital Intermediário (200h) e o Proeja Arte Digital Avançado (200h). Tendo em vista os desafios da construção coletiva para se chegar às etapas de um possível itinerário formativo do Projeto Proeja Transiarte em Ceilândia, assim como as limitações de tempo do mestrado, aprofundo o olhar, nesta pesquisa, apenas sobre a primeira etapa desse itinerário, o Curso Proeja FIC Arte Digital Básico. Esse curso configura-se a partir das minhas observações e também dos depoimentos dos sujeitos participantes, como espaço micro de desenvolvimento e aprendizagem humana que apresenta indícios de uma formação que se propõe integrada. Ou seja, comprometida com o desenvolvimento integral do sujeito. Indícios de um desenvolvimento integrado: coletivo, afetivo, profissional, científico, político, criativo e familiar. Integração não só das dimensões profissionais e científicas, mas superação de um ser humano, antes, fragmentado.

 

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